Você diz que crê na Bíblia e em Deus, que é cristão e que
serve ao Senhor. Diz ter fé e é membro de uma igreja.
Porém, eu não creio na sua fé.
Não creio na sua fé quando, ao menor sinal de tempestades,
você se atira ao chão desesperado, arrancando os cabelos e estremecendo de
nervoso, esquecendo-se de que Cristo já nos alertava para as crises: no mundo
tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16:33)
Não creio na sua fé quando você pede perdão a Deus domingo
após domingo, algumas vezes em lágrimas, outras em público, de pecados dos
quais diz ter se arrependido e nas segundas-feiras repete os mesmos erros, faz
as mesmas coisas e demonstra que sua suposta transformação não passava de
teatro amador e encenação barata. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da
sua prostituição; e não se arrependeu. (Ap 2:21)
Não creio na sua fé quando
julga a todos os outros como carnais e pecaminosos, como dignos dos
castigos divinos, e você, que faz as mesmas coisas, justifica-se dos maus
procedimentos, dizendo que só faz o que faz porque a carne é fraca, porque o
Diabo lhe tentou e porque ainda não recebeu poder nessa área. Não é falta de
poder, é hipocrisia pura. Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras?
Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? (Rm 2:22)
Não creio na sua fé quando ela só existe na igreja ou diante
de quem deseja convencer, mas é inexistente dentro de casa, no seu
relacionamento com os pais, cônjuges, amigos ou inimigos. Afinal, uma fé apenas
aparente é como uma linda flor de plástico: perfeita para os olhos, mas sem
cheiro, sem vida e sem valor. Não
procedais como os fariseus em conformidade com as suas obras, porque dizem e
não fazem; (Mt 23:3)
Não creio na sua fé quando vive a ameaçar a Deus; se os seus
pedidos não forem atendidos deixará de congregar, de cantar, de pregar, de
pastorear, de servir, de ser útil. A chantagem em si já é uma demonstração de
hipocrisia e denota uma inversão da seguinte realidade: não é Deus que precisa
de você, mas você que precisa de Deus. Seria bom lembrar-se do que Cristo disse
aos apóstolos: "Quereis retirar-vos também?" Pedro respondeu
categoricamente: Senhor, para quem iremos nós se só tu tens as palavras da vida
eterna. (Jo 6:68)
Não creio na sua fé quando torce a Escritura Sagrada para
que ela concorde com as suas idéias, quando faz malabarismos de interpretação
para justificar as suas esquisitices. Não fomos chamados para brigar com a
Bíblia, discutir com ela ou enfrentar o Seu autor; fomos chamados para
obedecê-la. E, como se diz na caserna, ordens não são para serem discutidas,
mas obedecidas. Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o
cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela
não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente
te conduzas por onde quer que andares. (Js 1:7)
Não creio na sua fé quando só pensa em si e se esquece dos
seus e do próximo, quando despreza os pais, quando ignora os clamores dos
amigos, quando não se perturba com a dor alheia ou quando faz vistas grossas
com as necessidades do próximo. É bom lembrar que um dos fatores que avaliam
uma fé verdadeira é o amor, que se dá pelo outro, não por si próprio, e que
Cristo afirmou que quem amar mais a si mesmo perderá a chance de morar no Céu.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o
filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. (Mt 10:37). E dizia a
todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua
cruz, e siga-me. (Lc 9:23)
Por fim, não creio na sua fé quando ela é meramente
pragmática, como uma ferramenta de PNL (programação neurolinguística) ou um
condicionamento de pensamento positivo, e não objetiva a eternidade, a salvação
e o Céu. Crer para ser rico, para ser curado, para galgar degraus sociais, para
ser famoso, para ser bonito, para casar-se, para eleger-se, é fácil, é
meramente humano; isso qualquer religião
ou positivismo faz; o Reino de Deus fala de um Céu que começa aqui e continua
eternamente lá, colocando nossos pés nas alturas e fazendo de nós cidadãos
transcedentais, de dupla nacionalidade. Mas agora desejam uma pátria melhor,
isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar
seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. (Hb 11:16)
Será que poderei crer na sua fé? Ela é do tipo que agrada a
Deus e é cultivada num coração quebrantado e contrito? Se sim, aleluia! Somos
irmãos! Se não, eu lamento: sua fé não vale nada!
Pense nisso!
Pr. Wagner Antonio de Araújo


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