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19/07/2018

Como um pastor promove mudanças de modo sábio em sua igreja?


Pastores que entram em igrejas já estabelecidas ficam rapidamente sobrecarregados pelas mudanças necessárias para melhorar a igreja. O desafio para a maioria de nós reside em quando e como essas mudanças precisam ser realizadas. Se você está se perguntando como escolher de modo sábio estes confrontos, primeiro receba este excelente conselho que recebi ao ingressar em meu primeiro cargo de pastor principal em uma igreja que claramente precisava de mudança e revitalização:

“Pregue a Palavra, ame sacrificialmente esse povo e não mude nada por algum tempo”.

Agora, tendo compartilhado esse conselho inestimável que deve ser aplicado em primeiro lugar, aqui estão três perguntas a serem feitas à medida que você age visando promover mudanças que são necessárias e como fazê-lo com discernimento e sabedoria:

1) É bíblico ou uma questão de preferência? Seja o que for que deseje mudar, certifique-se de ter um forte argumento bíblico para fazê-lo. Se você deseja mudar a estrutura de sua igreja para uma pluralidade de presbíteros/pastores, ou elevar o compromisso de todos os membros da igreja se reunirem regularmente aos domingos (Hb 10.25), essas são mudanças bíblicas apropriadas que devem ser buscadas. Se você quiser mudar a tradução da Bíblia a ser pregada, o estilo da música ou remover o grande quadro de um Jesus branco e americano em seu escritório, essas mudanças não possuem um argumento bíblico tão claro. Quer seja bíblico ou uma preferência, importa como você promove as mudanças e, em muitos casos, se você deve fazê-las.

2) É o momento certo? Só porque um argumento bíblico pode ser dado em favor da mudança, não significa que seja o momento certo para fazer a mudança. Muitos pastores jovens entram em uma igreja estabelecida, fazem mudanças rápidas e necessárias porque “está na Bíblia” e não pensam em pastorear uma congregação através dessas mudanças. Depois, eles se perguntam por que em dezoito meses de seu pastorado, apenas a metade da igreja permanece e há uma falta de confiança e suspeita generalizadas em relação ao pastor. É porque o novo pastor estava muito ocupado em descobrir o que “precisava ser mudado” em vez de primeiro amar e pastorear aquela congregação para que, posteriormente, eles fossem receptivos à mudança.

3) As possíveis consequências valem a pena? Verifique se a mudança pode ser ensinada como bíblica, considere se o momento é o correto, e depois, um pastor deve ponderar se as consequências o parecem sensatas e valem o risco. Por exemplo, eu não dividiria a igreja sobre uma pluralidade de presbíteros/pastores, ou expurgaria rol de membros inflado nos primeiros anos de uma igreja. Essas são mudanças que podem vir depois com bom ensino e paciência. No entanto, eu arriscaria ser demitido confrontando um diácono encontrado em adultério aberto, ou um ataque à divindade de Cristo, quer a igreja estivesse pronta ou não. Escolher as batalhas certas com sabedoria envolve se você está disposto a enfrentar as possíveis consequências de sua decisão, bem como se posicionar diante de Deus com uma consciência limpa.

Esse é um modelo geral a ser seguido quando você determina as alterações que deseja fazer e como elas devem ser escolhidas e executadas. Faça o que fizer, escolha batalhas com sabedoria, como se você estivesse naquela igreja dez anos ou mais. Isso lhe dará uma perspectiva diferente e ajudará você a ser paciente.

Ah, e mais uma coisa. Ouça sua esposa. Minha esposa me impediu de ser demitido algumas vezes por seus sábios cuidados sobre algumas coisas diferentes que eu estava prestes a mudar. Sua esposa é sua ajudante e será uma ajuda especial para evitar que você faça algo que possa se arrepender. Ouça a sua esposa.


Pr. Brian Croft

01/07/2018

A que vens, amigo?

Esta  é a pergunta de Jesus a Judas Iscariotes, antes da traição (Mateus 26.50). A história revela que Jesus era amigo de Judas, mas este não era amigo de Jesus. O nosso Senhor é sempre o nosso melhor amigo. O problema não é Ele, mas nós. Não temos sido o seu amigo. Se somos verdadeiramente amigos dele, devemos fazer o que Ele mandou (João 15.13,14). A amizade de Jesus é medida por sua vida dada por nós. O Seu amor por nós o levou para a cruz. Ele morreu por nós. Ele é a expressão máxima do amor de Deus. Cremos que o amor de Deus em Cristo Jesus é incondicional.

Jesus é o nosso amigo inigualável. Ele está sempre presente e pronto as nos perdoar e encorajar no Espírito. Ele é o nosso referencial de amizade leal e sincera. A Sua amizade por nós não tem paralelo. Jesus Cristo prometeu estar com a gente todos os dias de nossas vidas até à consumação do século (Mateus 28.20). Sabermos que Jesus é o nosso amigo faz toda a diferença, pois Ele é o amigo sempre fiel, presente, dedicado, solidário e misericordioso. Ele é o Presente sempre presente em nossa história, em nossa peregrinação cristã.

Ter Jesus como amigo significa segurança e esperança. O relacionamento dele com a gente é marcado pelo amor incondicional. O amor que encoraja, acompanha, enriquece, fortalece e traz profunda alegria. Quando Paulo afirmou “para mim o viver é Cristo e o morrer, lucro” (Filipenses 1.21), ele deixou claro que o Mestre era tudo para ele. Na verdade, Cristo deve ser tudo em todos nós (Colossenses 3.11).

A que vens, amigo? Esta é uma pergunta inquietante e ao mesmo tempo reflexiva. Jesus é o amigo que não nos decepciona. É o amigo do peito, do coração. Aquele que faz milagres, que intervém em nossa história para muda-la completamente. Ele nos ajuda em nossas fraquezas, pois a Sua graça nos basta (2 Coríntios 12.9,10). Devemos nos gloriar NELE. Andarmos como Ele andou (1 João 2.6). O nosso coração deve descansar no Amigo verdadeiro. O Seu amor é incomparável. Ele conhece como ninguém a nossa estrutura humana.

A amizade de Jesus é altamente terapêutica. É um relacionamento que cura, restaura e firma os nossos passos. Jesus é o amigo pronto a direcionar nossas vidas. Ele sempre nos diz o que precisamos ouvir. É o amigo cuja vida é marcada pela cordialidade, solidariedade e autenticidade. É muito precioso termos a Cristo como um amigo perfeitamente confiável. Absolutamente digno. Ele é o nosso Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da paz (Isaias 9.6).

O Senhor Jesus é o nosso modelo de amigo amoroso, leal, sincero e solidário. A partir da nossa experiencia com Cristo, podemos desenvolver amizades sinceras e desprovidas de segundas intenções. Precisamos fazer amigos! Sim, amigos de verdade! Amigos do coração! Ted Engstrom e Robert Larson, nos dão alguns passos de como podemos fazer amigos de verdade: 1) Desenvolva o tipo de amizade em que você nada exige em troca; 2) Faça um esforço deliberado e consciente de desenvolver um interesse autentico pelos outros; 3) Comemore com alegria o fato de que cada um de nós é uma criação singular e que, por isso, sempre será necessário tempo, talvez muito tempo, para podermos compreender uns aos outros; 4) Dedique-se como nunca a aprender a ouvir; 5) Acima de tudo, quando seu amigo precisar de você, simplesmente esteja presente, quer você saiba ou não o que fazer ou dizer; 6) Trate os outros com igualdade; 7) Empenhe-se em encorajar e elogiar sinceramente os outros; 8) Dê o primeiro lugar a seus amigos, colocando-se em segundo plano; 9) Ame a Deus de todo o coração, alma e força. E, então, ame seu próximo como a si mesmo; 10) Acima de tudo, valorize nos outros os pontos positivos e as qualidades, e não os defeitos e fraquezas.

Granjeemos amigos verdadeiros! Plantemos amizades sinceras. Que o Senhor nos livre de fazermos amigos movidos por mero interesse. Que o Senhor Jesus seja sempre o nosso exemplo de amigo a toda a prova. Sejamos amigos fieis, leais, dedicados, empáticos e profundamente compassivos. A vontade do nosso Pai é que sejamos amigos uns dos outros. Amigos que sonham e realizam sempre em favor das pessoas. Amigos solidários e prontos a servirem com o amor de Cristo Jesus. Deus é glorificado quando construímos amizades cujo fundamento é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta; o amor que jamais acaba (1 Coríntios 13.4-8). Que Cristo seja sempre a motivação e o referencial das nossas amizades!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

18/06/2018

A igreja é Igreja


A Igreja do Senhor Jesus não é caracterizada pelo número de membros que possui ou pelo seu gigantismo estrutural, pela organização, mas pelos traços distintos expostos no Novo Testamento. Temos a tendência de quantificar a Igreja. Dizemos: aquela igreja é muito grande, média, pequena ou muito pequena. A nossa visão tem obedecido ao principio do sucesso. Geralmente fazemos uma pergunta convencional de quantos membros tem determinada igreja. Podemos ter uma grande igreja em número, mas isto não define a igreja. O que a define é a sua obediência a Jesus Cristo, Aquele que a comprou com o Seu próprio sangue. A comunidade criada por Jesus deve ter as Suas características. Cada Eclésia tem, à luz das Escrituras, sua forma espiritual-ética-cultural de se expressar. A Assembleia dos santos deve viver a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, pois temos um só Senhor, uma só fé e um só batismo (Efésios 4.1-6). O corpo de Cristo deve ser dinâmico e produtivo. É claro que o crescimento qualitativo traz o crescimento quantitativo. É lei de causa e efeito. Você e eu fazemos parte de uma comunidade de expressão e expansão. A sua missão é pregar todo o evangelho ao homem todo e em todo o lugar. 

A Igreja existe porque o Senhor Jesus a criou para a Glória do Pai. A comunidade dos santos existe para fora, para avançar no mundo e ganhá-lo para Cristo Jesus. É a igreja de um só coração, uma só alma e um só propósito. A igreja é uma realidade por causa da adoração, do aprendizado da Palavra, da comunhão fraterna e do testemunho do evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Romanos 1.16). O Corpo Vivo de Cristo existe para expressar a sua fé ao mundo. A Igreja é constituída de discípulos de Jesus que evangelizam com amor e discipulam com à semelhança do Mestre. A Igreja é igreja para servir no caráter do seu Salvador e Senhor Jesus Cristo. Ela é o ambiente da aceitação, do perdão e da festa. É um ambiente de profunda alegria e singeleza de coração. É comunidade de gente humilde que deseja honrar o seu Senhor. Deseja ardentemente que Cristo Jesus seja exaltado entre as nações.

 A Igreja é igreja quando é constituída de crentes visionários, missionários e revolucionários espirituais.

A Igreja é Igreja. Ela não é um museu para santos, mas um hospital para pecadores. Comunidade terapêutica. É uma assembléia educadora, formadora e empreendedora. O seu campo é o mundo. O seu poder é o do Espírito Santo. A sua diaconia pertence a Jesus Cristo. É a comunidade dos servos que servem com amor, alegria e compaixão. É sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (1 Pedro 2.9,10). Seja grato a Deus por sua igreja, onde você pode servi-lO com profunda devoção. Trabalhe enquanto é dia. Aproveite todas as oportunidades na igreja local para que o nome de Jesus seja proclamado com o poder do Espírito Santo (Efésios 5.16). Não se acomode, mas trabalhe com amor, disciplina e zelo. Seja proativo e interativo. Obedeça à Grande Comissão deixada por Jesus (Mateus 28.18-20).

Não se esqueça: Floresça na igreja onde você está plantado. Não seja problema, mas solução. Trabalhe como um facilitador. Mobilize pessoas que sirvam motivadas pelo amor a Jesus e às almas perdidas. Forme líderes comprometidos com a mensagem da cruz, com o serviço abnegado do Mestre. Ore com e pelas pessoas. Aconselha-as. Ministre com convicção as Escrituras. Viva pela fé. Aja sempre com a humildade e mansidão do Senhor Jesus (Mateus 11.29). Não seja uma pessoa invejosa, mas se alegre com o sucesso dos outros. Como Jesus, procure fazer o bem onde quer que você esteja (Atos 10.38). Não busque cargos, mas cargas (Gálatas 6.2). Não almeje o pódio (arrogância), mas o chão, a humildade de Cristo. Ore e trabalhe para que a sua igreja seja perseverante na doutrina dos apóstolos, no partir, nas orações e que em cada alma haja temor (Atos 2.42-47). Que cada cristão seja mordomo, ecônomos na manutenção e expansão do Reino de Deus. Vivamos a unidade em Cristo Jesus. Oremos intensamente uns pelos outros a partir de um profundo senso de comunidade cristocêntrica. Como ensina John Stott: “Se afirmamos ser cristãos, devemos ser como Cristo”.

A Igreja é igreja quando é constituída de crentes visionários, missionários e revolucionários espirituais. A igreja é a comunidade da graça, do favor de Deus em Cristo para atender os necessitados. A Igreja pressupõe sacrifício vivo, santo e agradável a Deus como culto racional, lógico, coerente (Romanos 12.1,2). A igreja é graça derramada, compartilhada e aplicada às necessidades dos que sofrem. Graça nos relacionamentos e na resolução de conflitos. Como sou grato a Deus pela igreja novo-testamentária, engajada, comprometida com a salvação e discipulado das pessoas. A Igreja é igreja na manifestação dos milagres genuínos, a transformação de pessoas, que foram alcançadas para Cristo Jesus, o Senhor. 

A igreja é igreja por causa da Pessoa e Obra de Cristo. Ela é família dos santos, concidadãos dos céus, edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Efésios 2.19-22). Ela é aperfeiçoada na unidade preconizada por Jesus em Sua oração sacerdotal (João 17.20-24). A Igreja é igreja quando vive o Evangelho de Cristo em toda a sua expressão. A igreja de Jesus não mede esforços para trabalhar pela expansão do Reino de Deus.  Louvo a Deus pela Igreja planejada na eternidade e implantada na História pelo Senhor Jesus Cristo. Ele deu a Sua vida pela Igreja. Ela deve revelar o amor, a humildade, a mansidão e a compaixão do Salvador. A Eclésia de Deus é chamada para desenvolver uma contracultura cristã. Como Igreja do Senhor Jesus Cristo, vivamos Seus ensinos e impactemos este mundo para a Glória de Deus Pai.    

Pr. Oswaldo Gomes Jacob

11/06/2018

Fofoca e Desunião


Esses dois substantivos estão intimamente ligados. Causa e efeito. Sabemos que há pessoas que falam demais. Elas o fazem, muitas vezes, no piloto automático. Sem perceberem, estão discorrendo sobre a vida alheia, fazendo comentários negativos e destruidores da unidade, especialmente da igreja. É impressionante o número de fofoqueiros de plantão em nossas comunidades, que promovem separação entre os irmãos. São homens e mulheres que não têm o que fazer. Deus não criou a nossa língua para falar mal do próximo. A nossa língua é perigosa e pode matar (Tiago 3.1-18). Há pessoas que são viciadas em falar da vida alheia, em comentar de forma ferina, maldosa, a vida das pessoas. Creio que elas são infelizes porque se satisfazem em ocupar-se da fofoca ou maledicência. Não olham para as suas próprias vidas, não avaliam o seu comportamento, não têm discernimento ou a capacidade de olhar para dentro do espírito das coisas. Vivem catando as migalhas da mesa dos outros. Não são pessoas de confiança. Aliás, os maledicentes não merecem confiança. Eles podem matar as pessoas com a sua língua afiada como um instrumento cortante.

Os maledicentes criam desunião na família e nos demais contextos onde estão inseridos. São pessoas doentes, marcadas por taras que caracterizam uma vida infeliz, inútil ou improdutiva. Geralmente os que se ocupam em falar da vida dos outros não trabalham diligentemente, não fazem coisas úteis, não são servos, e se alimentam da desgraça alheia, desgraçando ainda mais a vida das pessoas. São como ventiladores que espalham as penas da maledicência, impossível de serem recolhidas. A fofoca produz desunião, desagregação e confusão no meio do povo. Impede o crescimento qualitativo e quantitativo da igreja de Jesus.

A língua maldosa é um fogo que incendeia a comunidade da graça. Causa destruição. É um membro pequeno do corpo que se gaba de grandes coisas, e é como um mundo de maldade (Tiago 3.5,6). A língua maledicente é do inferno (Tiago 3.6). É difícil, diz o apóstolo Tiago, domar a língua, contê-la, pois está cheia de veneno mortal em função da natureza de Adão (Tiago 3.8). Com ela bendizemos a Deus Pai, e amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus (Tiago 3.9). Há uma incoerência na língua maldita. É a língua que coça para fazer comentários sem propósito e infelizes. Sabemos que o coração do homem é perverso, ruim, enganoso e desesperadamente corrupto (Jeremias 17.9,10). O Senhor Jesus, expondo a triste realidade do interior do homem, disse: Porque do coração é que saem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos e calúnias. São essas coisas que tornam o homem impuro [...] (Mateus 15.19,20). 

Onde há fofoca, há desarticulação, fragmentação e confusão. Os que promovem a maledicência não herdarão o reino dos céus (Gálatas 5.19-21). O apóstolo Paulo exorta os irmãos de Éfeso, dizendo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que transmita graça aos que a ouvem” (4.29).  Esta é a postura do crente. Ele não cria
desunião, mas união, trabalhando zelosamente pela unidade do Espírito no vinculo da paz. Ele é um promotor da convivência amorosa, sábia, solidária e respeitosa.

Confesso que há em mim uma mistura de indignação, raiva e pena dos que falam mal da vida dos outros. Ocupam-se de, jocosamente, comentar a vida do próximo, de denegrir a sua imagem. Fazem até piadas desrespeitosas. São pessoas desajustadas, doentes, psicóticas, neuróticas e portadoras de um sentimento de inferioridade sem precedentes. Elas perderam a autoridade espiritual (se é que um dia já tiveram). Não têm vergonha. Deixam escapar as melhores oportunidades de servirem em amor, de falarem bem das pessoas, encorajá-las e em trabalharem pela unidade do Corpo de Cristo. Ai daqueles que promovem a maledicência, os boatos e a consequente desunião. São criadores de um ambiente de insegurança relacional. As pessoas que falam mal do próximo são deformadas moral, emocional e espiritualmente. Vejamos o que o Espírito diz em Provérbios 6.16-19: “Seis coisas o Senhor detesta, sim, sete que ele abomina: olhos arrogantes, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente; coração que faz planos perversos, pés que se apressam a praticar o mal; testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia inimizade entre irmãos. Aí estão os traços bem nítidos dos maledicentes ou fofoqueiros ávidos por comentários maldosos. Que Deus, nosso Pai, tenha misericórdia de todos nós!


Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

A Copa passa, mas as palavras de Jesus, não: o evangelho propagado por meio do futebol



Lembro que tinha 12 anos quando abri um livro para estudar russo pela primeira vez. Naquele momento, minha única convicção era de que Deus tinha algo para mim naquele país.

Foi depois de um processo de quase 20 anos de espera que finalmente eu e minha família (esposa e duas filhas pequenas) desembarcamos na Rússia. Tínhamos muitas expectativas e sonhos sobre nosso futuro, e no decorrer dos anos experimentamos muito do cuidado divino e presenciamos os milagres de Deus em nossas vidas. Deus nos sustentou em todas as nossas necessidades.

Com o tempo, por caminhos totalmente inesperados, Ele nos conduziu para um ministério ligado ao futebol. E foi assim que em 2010 realizamos nosso primeiro trabalho com futebol. Naquele ano trouxemos uma equipe de ex-jogadores vindos do Brasil para um projeto de curto prazo. Foram realizadas várias clínicas, jogos, testemunhos em igrejas, entrevistas para a TV local e etc. O resultado não poderia ser diferente, os brasileiros foram um sucesso enorme! Por isto, em 2011, outra vez o projeto aconteceu. A Rússia era um campo imenso e estava pronta para ser explorada por esta ferramenta tão interessante de evangelização que é o futebol.

Naquele mesmo ano tivemos que voltar para o Brasil para assumirmos outras responsabilidades em nosso ministério. E apesar das dúvidas e questionamentos que surgiram em nossos corações, o desejo de servir ao Senhor, independente do local, foi mais forte. Mas nossa ligação com a Rússia não havia acabado, nem os planos de Deus se esgotado em relação a isto.

Certa vez, numa conferência em Minas Gerais, conhecemos um pastor russo que nos convidou para desenvolvermos um projeto de futebol novamente por lá. Sabíamos que era Deus abrindo as portas outra vez. Assim, no ano seguinte, voltamos e realizamos um treinamento para vários russos que desejavam implementar um ministério de futebol em suas cidades. Vieram pessoas de toda a Rússia. Naquele mesmo projeto, promovemos clínicas de futebol para crianças e adolescentes, e muitas outras atividades de evangelismo em São Petersburgo e arredores.

Em 2016, o Projeto Rússia já havia chegado a quatro regiões distintas da Rússia, incluindo a Sibéria. Infelizmente não havia como atender a tantos outros pedidos por falta de recursos humanos e financeiros. Só naquele ano trabalhamos com mais de 600 crianças durante duas semanas; visitamos várias igrejas, orfanatos e escolas testemunhando do Senhor. Lembro que, enquanto estávamos lá, entrou em vigor uma lei antimissionária no país, e isto limitou nossas ações. Para nossa surpresa, fomos despejados do lugar onde estávamos hospedados, uma escola-internato, pois o diretor temia de estar abrigando membros de uma "seita" ocidental. Mas isto não nos desanimou. Conseguimos outro lugar para ficar, e prosseguimos com o trabalho.

Ao longo dos anos, conhecemos muitas pessoas e fizemos muitas amizades, e esta é a maior marca do Projeto Rússia: a amizade e os relacionamentos que são gerados. Quem vai para o Projeto não apenas oferece, mas também recebe muito carinho, atenção, amizade e vida!

E o resultado de todo este esforço? Escolinhas de futebol, frutos de um trabalho árduo, foram criadas por irmãos e irmãs russos nos últimos tempos. Ao total, agora cinco escolinhas de futebol funcionam em três regiões distintas atendidas pelo Projeto, e em outra região surgiu o pedido de apoio a escolinhas cristãs que já existem lá. Convites insistentes da Ucrânia e Bielorrússia (o país mais fechado da Europa para o Cristianismo) chegam até nós para também darmos apoio ao trabalho nestes locais.

O futebol abre portas, é uma ferramenta impressionante para propagação do Evangelho. Não queremos parar. Sabemos que a Copa da Rússia irá passar, mas as palavras de nosso Jesus não, e estas são palavras de salvação e vida!

Por Leialdo Pulz

05/06/2018

O pastor e os amigos de verdade


Já dizia o poeta: “Amigos são como as estrelas: mesmo que estejam distantes, brilham em nossos corações”. Como é importante ter amigos! São pessoas especiais que nos dizem o que precisamos ouvir e não o que queremos ouvir. Outro poeta dizia: “Amigo, palavra fácil de se pronunciar, mas muito difícil de se encontrar”. Para o pastor há uma dificuldade imensa em fazer e ter amigos. As pessoas de um modo geral buscam amizades que as beneficiem, que são descartáveis. Na sociedade em geral e até nas igrejas, há uma especialidade em usar pessoas para o benefício próprio. A sociedade é egoísta, interesseira e espartana. Só pensa em si, busca os seus interesses e amputa, alija os que não lhes apetece, não servem aos seus interesses.
                        
É muito difícil fazer amigos porque vivemos numa sociedade adâmica, egoísta, voltada para o ter, o poder, a vaidade, o consumismo e o ‘deus do entretenimento’ ou prazer em si. São muitos os obstáculos para se construir amizades autênticas. O coração é enganoso e desesperadamente corrupto (Jeremias 17.9,10). Há muitos comprometimentos que se tornam grandes obstáculos para se granjear amigos. Quantas vezes nos trancamos em nós mesmos. Temos a tendência de nos justificamos dizendo que “não dispomos mais de tempo”. Ocupamo-nos com tantos afazeres que conversar, rir e chorar com pessoas não são prioridades. As amizades estão se tornando cada vez mais superficiais, despidas da sinceridade do Mestre. O pastor precisa ser muito cuidadoso, ter muito discernimento para a arte de fazer amigos. Na verdade, quando fazemos amizades corremos risco. Precisamos ter muito cuidado com as decepções.
                        
Mas há esperança para o pastor de fazer amizades sinceras, leais, mesmo que muito reduzidas, para compartilhar as inquietações do coração. Jesus é o nosso modelo de amigo a toda a prova. Ele declarou: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar a sua vida pelos amigos. Vós sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.13,14). O pastor, seguindo e servindo a Cristo, nesta peregrinação cristã, pode encontrar amigos da verdade e de verdade. Há amigos mais chegados que irmãos. Eles são uma raridade e preciosidade em nossa peregrinação profética neste mundo. O pastor, dado a sua vocação ministerial, tem muita dificuldade de encontrar verdadeiros amigos com os quais pode rasgar o coração sem medo e desconfiança.                      

Os amigos são conhecidos quando passamos por crises das mais variadas, angústias e até depressão. Nos momentos mais difíceis da vida, os verdadeiros amigos se aproximam para serem um suporte e via de regra nos ajudam a vencer as dificuldades da vida. Os amigos comem o sal e o pão seco conosco. Estão com a gente em nosso sofrimento. Eles se arriscam por nós como fizeram Áquila e Priscila, um casal especial na vida do apóstolo Paulo. O testemunho do apóstolo é o seguinte: “Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios” (Rm 16.3,4). Temos também o caso conhecido de Jonatas e Davi, que eram muito amigos. Após a morte de Jônatas, Davi adotou Mefibosete, filho do amigo, e este passou a morar no palácio do rei, sendo tratado como filho.

A minha oração sincera é que cada pastor tenha amigos de verdade. Eles são um tesouro muito precioso! O relacionamento entre o pastor e os amigos de verdade certamente será encorajador, enriquecedor e criativo. Oremos e caminhemos com os nossos amigos. Sejamos sempre amorosos e sinceros com eles. Que não tenhamos nada a esconder. Que haja plena confiança em nossa comunhão fraterna. Sejamos servidores dos amigos, sim, amigos do peito, de verdade, crucificados, mortos e ressurretos com Cristo.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

02/06/2018

Onde estão os Timóteos do século 21?


Esta indagação tem inquietado o meu coração. Tenho visto muita baixa qualidade no ministério pastoral hoje. Há muita gente no ministério que não é séria. Estamos no século 21 e precisamos de pastores comprometidos com o ministério delineado e fundamentado nas Escrituras. Segundo John Stott, o apóstolo Paulo faz a Timóteo um apelo tríplice: apelo ético, apelo doutrinário e apelo vivencial. O velho líder, morto em 27 de julho de 2011, foi muito sábio nesta abordagem. Temos notado problemas muito sérios nestas três áreas. Aliás, elas são vitais no exercício do ministério concebido na Palavra de Deus. Fazem parte do DNA do ministério pastoral. Timóteo, discípulo de Jesus ensinado por Paulo, era um jovem pastor comprometido com o caráter de Jesus Cristo, pronto a perder a vida pela missão que o Senhor lhe havia confiado apenas por graça. Vejamos então os três apelos paulinos: ético, doutrinário e vivencial
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O APELO ÉTICO

Quando examinamos o apelo ético, ficamos estarrecidos. Há elementos com deformação de caráter exercendo a atividade ministerial. Elementos que usam de mentira, fazem do povo massa de manobra, não são sinceros em suas manifestações, não sabem liderar com mansidão, não honram seus compromissos financeiros, gastando mais do que ganham; usam de vaidade, aspiram uma vida confortável e o pódio; desejam carros sofisticados, gostam de roupas de grife, transitam em lugares não próprios, maltratam a família, buscam se aproveitar do povo para fins de lucro, exigem salários altos, não honram compromissos de agenda e pregam sermões dos outros como se fossem seus. Estão longe da ética do Reino de Deus. Não têm intimidade com o Senhor por meio da oração e da Palavra. Não fazem o culto doméstico. Vivem uma vida mundana, sem autoridade espiritual. Sabemos que a Igreja é como o seu pastor.

O APELO DOUTRINÁRIO
            
O apelo doutrinário está ligado ao compromisso com as doutrinas bíblicas, com a ortodoxia batista (em nosso caso). Timóteo estava visceralmente ligado à verdade das Escrituras. Estas eram centrais em sua experiência como cristão e pastor. Paulo o orientou a combater o combate da fé. O apóstolo lembra a Timóteo e a Tito a verdade revelada. O velho pastor os  ensinou a amar a Palavra, a tradição oral e escrita da parte de Deus por meio do Seu Espírito. A  doutrina  dos apóstolos e profetas estava enraizada em Tito e Timóteo. O pastor é aquele que está comprometido com a apologética, com  a defesa da fé. Um homem versado nas Escrituras, cuja vida está pautada nelas. Stott indica que devemos defender, proclamar e ensinar  a Sagrada Escritura com toda a fidelidade. Timóteo devia manejar muito bem a Palavra da Verdade (2 Tm 2.15). Paulo o orientou à leitura pública das Escrituras, à exortação e ao ensino (2 Tm 4.13). A exortação de Paulo a Timóteo é clara: “Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nessas coisas. Dessa forma, salvarás tanto a ti mesmo com os que te ouvem” (1 Tm 4.16). O pastor genuíno, chamado por Deus como homem comum para um trabalho extraordinário, deve amar as Escrituras, estudá-las com dedicação e zelo. Ensiná-las com convicção.

O APELO VIVENCIAL

O último apelo de Paulo a Timóteo é o vivencial. A partir de uma vida íntegra (ética), um compromisso com a Palavra de Deus (doutrinário), temos a prática no dia a dia. Vida mais Escritura nos levam à vivência, ao testemunho fidedigno, absolutamente comprometido com o caráter de Deus Pai. Paulo ordenou a Timóteo a tomar posse da vida eterna. Esta vida eterna está bem exposta em João 17.3: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Esta vida eterna foi-lhe dada quando ele creu na suficiência da obra de Cristo Jesus na cruz e na ressurreição. O Senhor Jesus é o modelo de vida do pastor. Ele é o Bom Pastor que dá a Sua vida pelas ovelhas (João 10.11). Deus, nosso Pai, tinha prazer na vida de Jesus Cristo, Seu Filho. Como pastores, devemos dar prazer ao nosso Senhor, Àquele que nos vocacionou. Que ao olhar para nós Ele veja ética, amor à Palavra e obediência. Que cada pastor siga e sirva a Jesus Cristo com alegria e singeleza de coração, sendo o exemplo para o rebanho.

À semelhança de Timóteo, os pastores mais jovens do século 21 precisam ouvir os mais velhos. Carecem de mentores, homens de Deus experimentados e aprovados. Não nos esqueçamos de que os Timóteos de hoje, do século 21, precisam testemunhar como Paulo, quando da despedida dos pastores de Éfeso: “Mas em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contato que eu complete a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Também, olharem para o velho apóstolo, preso em Roma, quando  declara com profunda convicção: “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça me está reservada, a qual o Senhor, Justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos quantos amarem a Sua vinda” (2 Tm 4.7,8). Os Timóteos do século 21 devem estar conscientes do equilíbrio entre ética, doutrina e vivência. O Senhor Jesus, nosso Pastor supremo, sabia, vivia e ensinava esse equilíbrio.
John Stott pergunta: onde estão os Timóteos do século 21? Ao responder, ele diz: “Eles procuram ser leais não só a um ou outro desses apelos, mas para toda a revelação bíblica, sem pinçar o que lhes agrada mais. Eles buscam a retidão, combatem o combate da fé e tomam posse da vida eterna – tudo isso ao mesmo tempo”. Deus é glorificado na vida dos ministros comprometidos com os Seus propósitos em Cristo Jesus! Louvado seja Deus pelos Timóteos do século 21! Que mais e mais obreiros assim sejam chamados, busquem a excelência no preparo e trabalhem arduamente para a salvação de vidas e a edificação da Igreja lavada pelo sangue de Jesus Cristo até que Ele volte!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob, desejando ser um Timóteo.

29/09/2017

Afundados na podridão da corrupção

“E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gênesis 6.12 – ACRF).

Ao traduzir essa narrativa bíblica, Eugene Peterson diz que a terra havia se tornado um esgoto, a violência estava por toda parte, a situação estava muito ruim pois a própria vida havia se corrompido. Parece até que esta narrativa é um retrato de nossa atualidade.

Na atualidade, a corrupção parece não mais no incomodar, pois ela, para muitos, tem se tornado apenas uma quebra de padrões de decência perfeitamente aceitáveis. O que na verdade é muito estranho, pois, a corrupção é uma forma devastadora de pecado, é errar o alvo, falhar em alcançar um padrão, falhar em obedecer à autoridade. Se a vereda é abandonada (estar a margem = marginalização), a lei é transgredida, ou a autoridade desafiada, isso deveria nos incomodar e obviamente nos motivar a buscar mudanças urgentes.

Infelizmente, desde o início do seu relacionamento com Deus, o homem tem mostrado que a corrupção está latente no seu ser. A corrupção faz parte da nossa própria natureza afetada pelo pecado e precisa ser mortificada através da atuação do Espírito Santo de Deus em nós.

É triste reconhecermos a inclinação do homem à corrupção, inclusive em nosso amor ao Senhor. Antes de querermos procurar os culpados, temos que admitir que a corrupção está ligada ao ser humano, à sua natureza carnal e pecaminosa. O apóstolo Paulo chamou esta condição interior de um “cativeiro da corrupção”:

“Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. ” (Romanos 8.20,21)

A palavra grega traduzida como “corrupção” é “phthora”, e significa: 1) corrupção, destruição, aquilo que perece; 2) aquilo que está sujeito à corrupção, que é perecível.

Em outras palavras, ela retrata algo que se estraga, que deixa de ser como era inicialmente, uma decadência. O pecado é uma fonte de morte, de corrupção, e este reconhecimento levou o apóstolo ao seguinte desabafo:

“Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24 )

A fonte de toda corrupção encontra-se em nossa própria carne.  Para Umberto Eco, a corrupção, é a insipidez da nossa carne.

O ser humano precisa se lembrar todos os dias que “nossos pecados são um problema sério aos olhos de Deus” (J. I. Packer). “A corrupção mata o corpo, a impiedade mata a alma”. (Agostinho de Hipona).

É terrível perceber que temos perdido essa consciência. Temos perdido a consciência destes maus atos porque “a consciência do pecado emerge do conhecimento sobre a santidade de Deus” (J. I. Packer). Se não nos posicionamos ante a santidade de Deus, não temos como enxergar os nossos pecados.  A luz da experiência do profeta Isaías, somente percebemos nosso pecado quando nos confrontamos com o Deus Santo (Isaías 6).

É por isso que cristãos devem aprender a andar no Espírito, e assim mortificar a sua própria carnalidade. É tudo uma questão de escolhermos onde investiremos e o que fortaleceremos em nossas vidas:

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne DA CARNE COLHERÁ CORRUPÇÃO; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. ” (Gálatas 6.7,8)

O fato de termos em potencial uma fonte de corrupção em nós mesmos não significa que a corrupção seja inevitável! Não estamos fadados ao fracasso: temos uma escolha!

Precisamos reconhecer que em nosso estado caído, não conseguimos assumir as atitudes requeridas por Deus. O pecado se manifesta em nós com seus efeitos horrorosos o tempo todo. Somente através da graça divina se é capaz de vencê-lo.

“A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor INCORRUPTÍVEL”.(Efésios 6.24 ).

A palavra grega empregada nesse texto pelo apóstolo Paulo e que se encontra nos manuscritos originais é “aphtharsia”, que significa “incorrupção”. Esta palavra é usada com relação ao corpo da ressurreição (1 Co 15.42,50,53,54) e é uma condição associada à glória, honra e vida! Esta palavra às vezes é traduzida por “imortalidade” (Rm 2.7; 2 Tm 1.10) e também pode dar a idéia de “sinceridade”, de acordo com esta linha de pensamento. Por outro lado, temos mais dois prováveis significados para esta palavra: 1) incorrupção, perpetuidade, eternidade; 2) pureza, sinceridade. De qualquer forma, o amor puro e sincero é o que não se corrompe, que traz em si a perpetuidade, que dura para sempre!

A afirmação de Paulo aos efésios faz com que reconheçamos que há pelo menos dois diferentes tipos de amor que os crentes podem manifestar ao Senhor ao longo do tempo: o amor incorruptível e o amor corruptível. Portanto, quando falamos de amor ao Senhor, não basta apenas reconhecermos que há pessoas que O amam e pessoas que não O amam (1 Co 16.22). Se assim fosse, a nossa única tarefa seria a de fazermos com que os que não amam ao Senhor passassem a amá-Lo! No entanto, o nosso desafio é ainda maior! Até mesmo dentre os que hoje professam que amam ao Senhor Jesus Cristo, há os que O amam com um amor incorruptível e os que têm permitido que o seu amor por Ele se corrompa! Essa permissão é para sua própria destruição.

O Barão de Montesquieu disse certa vez: “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”. Se você escolher negociar seus princípios e comercializar sua ética, significa que seu amor pelo Senhor já se corrompeu.

O nosso Deus através da Sagrada Escritura tem nos chamando de volta, independentemente do nível de corrupção que tenhamos permitido em nossas vidas! Ele quer nos restaurar! Ele tem o poder de nos restaurar. No entanto, mais do que sermos restaurados da corrupção do nosso amor ao Senhor, precisamos aprender a caminharmos de um modo a evitarmos que isto aconteça novamente! Para que isso aconteça, Jesus precisa ser o Salvador e o Senhor das nossas vidas.

Pr. Carlos Elias de Souza Santos



REFERÊNCIAS:

BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Almeida Corrigida e Fiel. 8ª Impressão. São Paulo: Paulus, 2012.
PACKER, James Innell. Vocábulos de Deus. 2. Ed. São José dos Campos, SP: Fiel, 2011.
PETERSON, Eugene H. Bíblia de Estudo A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2014.
SUBIRÁ, Luciano. De todo o Coração – Vivendo a Plenitude do Amor ao Senhor. Curitiba-PR: Orvalho, 2009.

26/09/2017

O que significa ser cristão? Temos sido cristãos autênticos?

“E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”. Atos 11.26

No livro de Atos diz que na cidade de Antioquia os discípulos, pela primeira vez, foram chamados “cristãos” (do grego, “Christianós” = seguidores de Cristo). O que levou a este reconhecimento foram as atitudes dos discípulos, que eram idênticas às do Senhor. Até aquela ocasião, a expressão “cristão” ainda não tinha sido usada, e foi formulada por pessoas que não estavam na Igreja, para designar os seguidores de Jesus. Os discípulos foram chamados de cristãos, ou seja, as pessoas de fora é que deram este nome aos discípulos, tamanha a sua semelhança com Jesus. Precisamos nos identificar de tal forma com aqueles ensinos e conceitos, para que façamos jus ao mesmo título. Vida Cristã é muito mais que fazer parte de uma Igreja, ter uma credencial, ou ter uma religião.

1. Vida Cristã é renúncia – Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra renúncia significa literalmente desistir de algo, abdicar, recusar, etc... “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”. (Lc 14.33). Renunciar é repudiar completamente a sua natureza pecaminosa. O escritor aos Hebreus diz: “… deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé…” (Hb 12.1, 2).

2. Vida Cristã é viver o amor de Jesus – Jesus disse em Marcos 12.30-31: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. Esses dois mandamentos são, portanto, a base da vida cristã. Vemos assim que amar é o grande mandamento, imprescindível para quem deseja conhecer e servir a Deus. O amor é então uma condição para que venhamos a conhecer a Deus e, também, para sermos discípulos dEle. É a marca dos que seguem a Cristo. Jesus vincula as duas leis do amor. Ele eleva o significado do mandamento do amor ao próximo ao colocá-lo ao lado do mandamento do amor a Deus. A ágape consiste de boa vontade, benevolência ilimitada em favor do próximo, inspirada pela fonte do amor – Deus, por meio da ação do Espírito, que nos transforma à imagem de Cristo. O amor deve governar todos os nossos atos.

3. Vida Cristã é compromisso – É inconcebível uma vida cristã sem que haja um compromisso com Cristo. Compromisso este que é muito mais que ir ao templo, cantar, contribuir e fazer orações. Na verdade, é ser corpo, é participar, é sentir-se responsável, é entender que faz parte de um projeto de Deus para a salvação de todos os homens.
Compromisso envolve coração, paixão, entrega. Se Deus não for o nosso maior tesouro, não conseguiremos abrir mão de algum prazer transitório para nos dedicarmos a Ele. Isso porque onde estiver o nosso tesouro aí estará o nosso coração (Mt 6.21).
Que tipo de cristão temos sido? Temos renunciado o pecado, o mundo e a nossa natureza terrena? A nossa vida está em perfeita coerência com a palavra de Deus? Temos amado a Deus e ao Próximo? Temos vivido um cristianismo superficial, ou de compromisso com Deus? Faça um exame introspectivo neste momento da sua vida com Deus e decida viver uma vida cristã à semelhança de Cristo.

Pr. Marcos Zumpichiatte Miranda
Redator da Revista P&V
Diretor do Departamento de Educação Religiosa da CBF

24/09/2017

A Fonte da Oração


João Calvino disse que “a oração é o principal exercício da fé”. Ora, sendo isso verdade, o que nos ajudará, pecadores, a orar? Lembre-se: a oração é questão de fé. Assim, de onde vem a fé? Ela procede da audição à Palavra de Deus. Como Paulo escreveu: “Portanto, a fé vem por ouvir, isto é, por ouvir as boas-novas a respeito de Cristo” (Rm 10.17). A fé – e também a oração – é gerada pelo evangelho. Esse é o motivo pelo qual a Escritura e a oração são colocadas juntas tantas vezes.

Vemos essa conexão ilustrada por Daniel, por exemplo. À medida que ele estava lendo o livro do profeta Jeremias, sua percepção o levou a orar (Dn 9.1-3). É a Palavra de Deus, a mensagem graciosa de Cristo, que desperta a fé e também a oração – e assim deve ser a estrutura básica da nossa comunhão diária com Deus. Precisamos colocar Cristo diante de nós. Isto é, ouvir a palavra de Jesus na Escritura, no cântico, nos lábios de nossos irmãos e ao refletirmos enquanto meditamos na Palavra. Devemos desejar que nossos olhos sejam abertos para contemplarmos a beleza do Senhor e para que sejamos atraídos de novo a fim de desejá-lo – e então a oração será apenas a articulação da resposta do nosso coração.

Para resumir o que descobrimos até aqui, a oração é o principal exercício da fé. Naturalmente somos péssimos na oração porque somos pecadores. Todavia, a solução – o que nos dará a verdadeira vida de comunhão real com Deus – é o evangelho de Cristo, que desperta a fé.

Quando, com fé, nós nos dirigimos a Jesus, a oração muda. Há algo extraordinário a respeito de Jesus. Jesus é o Senhor; ele é Emanuel, o Deus conosco. Mas nosso Senhor e Deus ora. De fato, ele está sempre orando. Quando alegre, ele orava; em agonia, orava; ao tomar decisões importantes, como a escolha dos apóstolos, passou um bom tempo em oração. Sua vida de oração inspirou os discípulos a lhe pedirem: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11.1).

Todavia, as orações de Jesus não são apenas importantes porque ele orava na terra como modelo humano. Não! Ao orar, ele também demonstrava quem é em sentido eterno. João nos diz: “Eu lhes digo a verdade: o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz.” (Jo 5.19). O Filho sempre depende do Pai; isto é o que ele é eternamente. Dessa forma, por toda a eternidade Deus Filho desfrutou de comunhão com Deus Pai e com ele se comunicou (isto é, orou!). Orar, portanto, significa aprender a desfrutar o que Jesus sempre desfrutou. A oração brota da comunhão com Deus pela Palavra. A Palavra é a fonte da oração.

Extraído e adaptado de “Deleitando-se na oração”

05/09/2017

A preciosidade e o poder da oração

O poder da oração tem vencido a força do fogo e refreado a fúria dos leões; tem acabado com anarquia e abolido guerras; tem acalmado os elementos em fúria e expelido demônios; tem partido os grilhões da morte e alargado as portas do céu; tem mitigado as enfermidades e repelido as fraudes; tem livrado da destruição cidades inteiras, para o Sol no seu giro e impelido a marcha do raio. A oração é uma arma eficaz, um tesouro inexaurível, uma mina que jamais se acaba, um céu jamais obscurecido por nuvens e nunca perturbado pela tempestade. É a raiz, a fonte e mãe de mil bênçãos” (João Crisóstomo, 347-407 D.C.)
Paulo nos ensina que devemos orar sem cessar (1 Ts 5.17). Orar é conversar com Deus. Abrir o coração para Ele em profunda devoção. Quando oramos, o nosso coração entra em processo de quebrantamento e a nossa mente se abre para os pensamentos do alto (Cl 3.2). Na oração a Deus o nosso coração é examinado, sondado; e a nossa mente é vasculhada minuciosamente. Orar é uma expressão de amor a Deus e ao próximo. Orar é confiar na soberania e fidelidade de Deus. Deus é sempre fiel a si mesmo (2 Tm 2.13).
Como é precioso orarmos! Derramarmos o nosso coração diante da Majestade de Deus. Um coração quebrantado e contrito o Senhor não despreza (Sl 51.17). A oração do justo (daquele que foi justificado ou perdoado por Cristo na cruz) pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). A oração sincera e segundo a vontade de Deus move a Sua mão. Deus ouve a oração que é feita por fé e segundo a Sua vontade, na mediação de Jesus (1 João 5.14; 2.1.2).
Como é maravilhoso sabermos que há pessoas que oram por nós! Quantos obreiros têm sido mantidos em pé por causa das orações sinceras dos santos e santas de Deus. Homens e mulheres simples que oram em todo o tempo. Quantos filhos têm sido guardados da morte por causa das orações de suas mães ou de seus pais! É maravilhoso quando nutrimos um ministério pessoal ou coletivo de oração! O poder de Deus se manifesta maravilhosamente! Não nos esqueçamos: muita oração, muito poder.
Na oração rompemos as barreiras que impedem o crescimento pessoal e da igreja de Jesus. Quebramos o status quo. Somos chamados a uma revolução pela oração. Paulo tem sido um exemplo para nós. Por causa do seu compromisso com Cristo Jesus e o consequente sofrimento, o apóstolo Paulo afirma: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 3.14). Paulo agonizava em oração por toda a igreja do Senhor e a consequente expansão do Seu Reino. Ele possuía um ministério pessoal de intercessão. Para o velho apóstolo, a oração era um deleite.
A vida cristã não existe sem a vida de oração e sem a meditação nas Escrituras Sagradas. A vida que recebemos de Cristo tem fome e sede de devoção ao Senhor pela Palavra e pela oração (Sl 42.1,2). Sabemos que a nossa luta não é contra inimigos visíveis, mas invisíveis, contra as hostes espirituais do mal nas regiões celestiais, no espaço sideral (Ef 6.10-20). É pela vida de oração fundamentada nas Sagradas Escrituras que vencemos as lutas diárias. Por esta razão Paulo declarou: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fil 4.13). Há poder na oração feita pelos que um dia foram regenerados pelo Espírito Santo!
Quando examinamos o ministério do Senhor Jesus, o vemos comprometido com as Escrituras e com a vida de oração (João 5.39; Lc 6.12). A oração do Pai Nosso é a oração da dependência (Mt 6.9-13). A preciosidade da oração está em seu ensino e regularidade nas Escrituras e na vida dos homens e mulheres de Deus. Oração não é retórica, mas uma história que envolve fé, amor, confiança, paciência e descanso. Quando oramos descansamos no poder e na fidelidade de Deus. Ao oramos, revelamos a Deus a nossa confiança nele. Quando oramos com fé e segundo a vontade de Deus, o Espírito Santo intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26).
Jesus nos ensinou a orarmos sempre e nunca desfalecermos (Lc 18.1). Este é o princípio regulador da nossa vida de intercessão. Oração é uma questão de fé no poder de Deus; é uma postura de confiança no amor de Deus e um descanso diário na fidelidade de Deus. Quando oramos por meio da fé na suficiência de Cristo, glorificamos a Deus Pai. Não nos esqueçamos da preciosidade e do poder da oração!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

30/06/2017

É possível ser grato e fiel sem segundas intenções?

Será que Jó não tem razões para temer a Deus? Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? (Jó 1:9,10)

O livro de Jó é um dos mais impressionantes, intrigantes e ricos de todo o Antigo Testamento, sem falar também que é uma pérola da literatura.

Como todo livro do gênero sapiencial, o livro de Jó possui uma mensagem de prática aplicação a situações concretas da vida, ou nos fornece uma chave de interpretação para eventos aparentemente desconexos de nossa existência. No caso de Jó, além destes dois fatores, a narrativa nos apresenta uma sólida teologia acerca da soberania de Deus sobre o mundo (visível e invisível), e todos os demais atributos de Deus, quer ‘comunicáveis ou incomunicáveis’.

Há também uma lição importante sobre vida espiritual sadia e madura.

A pergunta-afirmação de Satanás possui fundamento (Jó 1.9-10). É real e possível a gratidão e fidelidade a Deus embasada apenas em benefícios recebidos, em graças alcançadas, em favores desfrutados. Satanás questiona o fundamento da fidelidade de Jó. Afinal de contas, Jó não tem do que reclamar se comparado à vida de outros homens ele é um felizardo. Rico, sábio, afamado, com uma grande família, nenhuma peste ou doença tem se aproximado de sua tenda, não possui inimigos, pelo menos não suficientemente capazes de fazê-lo perder uma noite de sono. Jó é um abençoado.

Satanás “desafia” esta fidelidade quanto a sinceridade de seu coração, como que propondo um teste para Deus. O Senhor permite uma limitada, porém ampla atuação de Satanás na vida de Jó: bens, afetos, familiares, casamento, amigos, fama, admiração. Tudo vai saindo de sua vida de modo inesperado e catastrófico. Jó perde o controle de sua história, não, porém, a sua convicção de que Deus continua soberano. Por fim, também a sua integridade física e psíquica começa a sofrer os ataques do diabo e começa a experimentar uma espécie de depressão. Jó é tentado a apostatar, a blasfemar, a crer numa teologia deformada quanto ao caráter santo, justo e amoroso de Deus. De fato, se Satanás estivesse certo, já não havia razões plausíveis para que continuasse fiel, grato e obediente.

Incrivelmente no início de sua desventura, vislumbramos um pouco da índole de Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1.21).

Infelizmente a gratidão por amor a si mesmo, mais do que por amor a Deus também se estende sobre as nossas relações:
Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam. 33 E, se vocês fazem o bem somente para aqueles que lhes fazem o bem, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama fazem isso. (Lucas 6.32-33).

Muitos cultivam certa relação pacífica, de entendimento e amizade, na mesma medida em que são beneficiados em algo. Entretanto, quando se vêm frustrados ou contrariados, se enraivecem e se tornam inimigos letais.

Com Deus a conduta em nada se difere. Não suportam os reveses da vida. Não conseguem administrar perdas e dores. Como crianças mimadas culpam a Deus por suas falaciosas esperanças não correspondidas, tem uma deturpada imagem de um ‘deus’ mágico e serviçal. Deus procura adoradores que o adorem em espírito e verdade e não bajuladores. Isto significa que Deus que ser adorado, amado, servido, por quem o busca por aquilo que Ele é, pelas excelências de seu caráter, pela beleza de sua santidade. Qualquer outra motivação, ainda que seja a gratidão, nunca será suficiente ou plena de verdade nos relacionarmos com Deus.

O benfeitor deve ser amado mais do que o bem feito. O doador deve ser mais desejado que o dom. Peçamos a Deus para que Ele nos tire da criancice espiritual, que ele nos dê de Jó mais que sua paciência, nos conceda também a pureza de suas intenções e fidelidade no tocante a Deus. Peçamos ao Senhor que saibamos amá-lo por sua santidade indefectível mais do que pelo seu poder invencível.

Por Luiz Fernando dos Santos

18/06/2017

A Doutrina da Mordomia

A Bíblia ensina, com exemplos, que somos mordomos de Deus. Ele apenas nos confiou a administração dos bens que lhe pertencem. Não se concebe que cristãos através dos séculos, tenham lido a Bíblia dezenas de vezes e tenham procurado viver suas verdades, sem que a doutrina da mordomia viesse a ocupar em suas vidas o devido lugar. Daremos um resumo do que a Escritura tem a dizer, na certeza de que as passagens indicadas hão de merecer do prezado leitor um estudo cuidadoso e minucioso, permeado de amor e temor, à Palavra de Deus.

O universo pertence ao Senhor, é o que declara o salmista ao dizer: “A terra e tudo que nela há são do SENHOR; o mundo e todos os seus habitantes lhe pertencem.” (Sl 24.1). Confira também o que se lê em Salmos 50.10-11 e 95.5. De modo mais específico, o solo pertence a Deus. Eis o que diz Levítico 25.23: “A terra jamais será vendida em caráter definitivo, pois ela me pertence. Vocês são apenas estrangeiros e arrendatários que trabalham para mim.”, impressionante! Nós bem sabemos, só não queremos entender. Deus nunca entregou títulos de propriedades a Adão ou a outro qualquer representante da raça humana, mas conservou tudo para si mesmo como Criador. Adão e todos depois dele são simples mordomos de Deus.

Cremos que não há outra doutrina capaz de influenciar mais a vida de um crente do que a da mordomia, quando devidamente compreendida e praticada em seu devido lugar. Antes de tudo, deixará de existir em nossas vidas a diferença artificial que, em geral, se faz entre atividades religiosas e seculares. Religião, então, não será mais uma atividade para certos dias e horas; cada minuto de nossas vidas será sagrado, porque pertence a Deus. O trabalho deixará de ser algo mecânico e material para ser uma bênção nas mãos de Deus, porque estaremos cooperando com ele, no desenvolvimento e no progresso de um mundo criado e mantido por ele.

Quando Jacó fugia de seu irmão, teve a visão maravilhosa de uma escada, cujo topo tocava os céus e onde pôde ver o Senhor no seu trono de glória. Ao despertar de seu sono, eis que ele exclamou: “Certamente o SENHOR está neste lugar, e eu não havia percebido!” (Gn 28.16). O mordomo fiel, despertado por uma visão nova e mais ampla, verá Deus e sua mão em lugares e coisas que lhe pareciam despercebidas de caráter religioso. Não só a igreja, mas o lar, a oficina, o campo de trabalho, enfim, tudo participa dessa esfera sagrada, porque Deus está em toda parte como Criador e Preservador. Não haverá mais coisa lícita aqui e ilícita acolá porque todo lugar que as plantas dos nossos pés tocarem será terra santa (Êx 3.1-5).


Pr. Arildo Mota dos Reis Pessoa

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