Quando devo ter o meu primeiro contato diário com Deus? No
início do dia? Na metade do dia? No final do dia? Ao nascer do sol? Ao pôr do
sol? Na escuridão da noite? Na claridade do dia? Antes de acordar ou antes de
dormir?
A Bíblia diz que Jó se levantava de madrugada para oferecer
sacrifícios a Deus em favor de cada um de seus dez filhos e para purificá-los
(Jó 1.5). Afirma também que, apesar de ter curado muitas pessoas de todo tipo
de doenças e expulsado muitos demônios “depois do pôr do sol”, no dia seguinte,
“de manhã bem cedo, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou, saiu da
cidade, foi para um lugar deserto e ficou ali orando” (Mc 1.34-35).
Lutero, há mais de 480 anos, ensinava que “a oração precisa
ser, pela manhã, a primeira atividade do dia, e, à noite, a última”. Isto é, a
parte clara do dia deve ficar entre a oração matutina e a oração vespertina.
Muitos de nós aprendemos a fazer isso com os nossos pais – nos bons tempos.
Devemos orar ao nos levantar da cama e ao nos deitar na
cama, porque “sem essa disciplina, o dia vai embora e nós não oramos”, explica
o reformador. Segundo ele, é preciso tomar cuidado com a tendência humana de
procrastinar a oração. Com frequência, nós dizemos: “Vou orar daqui a pouco;
mas, antes, preciso resolver isso ou aquilo”. Com essas desculpas, “passamos da
oração para a rotina diária, que nos prendem e nos envolvem, a ponto de não
mais sair oração o dia inteiro”. (Esses conselhos de Lutero sobre a oração
encontram-se num pequeno tratado intitulado “Uma Singela Forma de Orar”, publicado
em Wittenberg no começo de 1535, e dedicado a Pedro Beskendorf, seu barbeiro
pessoal por mais de dezoito anos.)
Nascido trezentos anos depois de Lutero, F. B Meyer, o
famoso preletor de encontros sobre espiritualidade e avivamento, escreveu um
pequeno opúsculo singelo e significativamente intitulado “O Dever e a Bênção de
Levantar Cedo”, publicado no Brasil pela antiga Casa Publicadora Batista. Não
poucas pessoas levaram a sério a recomendação desse pregador inglês e
acostumaram-se a sair da cama uma ou mais horas antes do habitual para ter um
momento devocional de maior valor.
Em seu devocionário “Dia a Dia Com Charles Swindoll”, o
ex-presidente do Seminário Teológico de Dallas parece se preocupar mais com o
valor da oração do que com o horário da oração: “Todos os dias passe um tempo
em oração – todos os dias”, “A oração é uma pausa revigorante em meio à rotina
diária”, “A oração é o ato mais significativo para ajudar a transformar a
turbulência interna em paz interior”.
Além do “orem o tempo todo” de Paulo (1Ts 5.17, AM),
precisamos arregalar os olhos para o testemunho do profeta Isaías: “Todas as
manhãs, Deus me acorda e me ensina a escutar e a entender as suas palavras” (Is
50.4, NBV). (Na NTLH, lê-se: “Todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade
de ouvir com atenção o que ele vai dizer”.)
A refeição espiritual bem suculenta e matutina não beneficia
apenas quem a leva a sério. Por meio do crente bem alimentado, as pessoas mais
próximas dele podem comer as sobras que caem de sua mesa. Aliás, o versículo
todo de Isaías diz assim: “O Senhor Deus me ensina o que devo dizer a fim de
animar os que estão cansados. Todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade
de ouvir o que ele vai dizer”!
Se a manhã começa desse jeito, como será o dia todo?


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